MOJUÍ DOS CAMPOS POLÍTICA

Há 30 anos, acidente brusco na PA 445 tirava a vida de um vereador de Mojuí dos Campos

Com o reconhecimento de um respeitável adversário, o jornalista Oti Santos relembra a trajetória política de Godofredo Portela.

Da Redação*

O jornalista Oti Santos, ex-vereador e ex-prefeito de Santarém e Belterra e ex-deputado estadual relembrou neste sábado (24) o falecimento do então vereador Godofredo Machado Portela, ocorrido há trinta anos (24.07.1991). Em sua página em uma rede social, Oti Santos descreveu que, Godofredo Portela faleceu vítima do capotamento da caminhonete por ele dirigida ao manobrar em uma curva no Km 32 da Rodovia PA-445, às proximidades da comunidade Igarapé das Pedras (atual município de Mojuí dos Campos). Godofredo, no exercício do quarto mandato de vereador e estava com 65 anos de idade.

O jornalista Oti Santos relembra em sua rede social o histórico do político mojuiense.

Sobre Godolfredo Portela, Oti Santos descreve

Agricultor, comerciante, católico e político santareno, Godofredo Machado Portela era natural de Independência, no Ceará. Casado com Francisca Raminho Portela e pai de Liduína, Adelaide, Benedito Tibúrcio, Everaldo, Raimundo Nonato, Adeíza, Juvenal e Rita Cinara.

Após anos de dedicação ao cultivo da agricultura familiar na região do planalto santareno é induzido, diante da popularidades conquistada no seio da colônia nordestina à militância político-partidária num período quente da aferrada disputa do bipartidarismo e nos anos considerados de chumbo da ditadura militar.

A sua aguerrida trajetória política começou com a eleição de 15.11.1972 à Câmara Municipal de Santarém, que disputada pela Arena, foi eleito com 1.184 votos. Em seguida, no pleito de 15.11.1976 foi reeleito pela mesma legenda com 1.335 votos.

Um dos fatos marcantes dessa caminhada aconteceu em 13.03.1979, quando chegou à presidência da Câmara (para o biênio 1979/1980) ao derrotar por 6×5 o compadre Gonzaga Rufino (que encabeçava a chapa da Arena). Graças ao apoio do MDB, partido adversário do regime militar e, consequentemente, da gestão municipal do prefeito-nomeado Antônio Guerreiro Guimarães.

Assim, na condição de presidente do poder legislativo, Godofredo Portela passou a responder constitucionalmente, no curso do referido biênio, como vice-prefeito municipal.

Ainda em 1979, diante da extinção do bipartidarismo (MDB e Arena), coerentemente o vereador fez opção pelo Partido Democrático Social (PDS), o sucedâneo da Arena, por cuja legenda foi reeleito em 15.11.1982 para um terceiro mandato, com 951 votos.

Novamente com os votos dos vereadores do PMDB, em 15.03.1983 foi eleito para a segunda secretaria da Mesa Executiva, integrando a chapa encabeçada por Arnaldo Lopes, que contava na vice-presidência com Argemiro do Vale e na primeira secretaria com José Walfredo de Sousa, para o biênio 1983-1984.

Alguns anos depois, no pleito de 15.11.1988 tentou emplacar o quarto mandato consecutivo de vereador, mas galgou apenas a primeira suplência, ao obter 567 votos. Contudo, voltando à câmara em 01.02.1991 para preencher a vaga aberta com a eleição, em 1990, do vereador Benedito Guimarães à assembleia legislativa.

Em decorrência do seu brusco falecimento, o então primeiro suplente do PDS, Professor Antônio Rebelo, foi convocado para substituí-lo e cumprir o restante do mandato. Sendo empossado perante a mesa diretora presidida pelo vereador Edson Serique, também do PDS, em 30.07.1991.

Homenagens após a morte: Além de emprestar o nome ao gabinete da presidência da Câmara Municipal, algumas outras homenagens lhes foram prestadas, entre as quais, a denominação da antiga Avenida Violeta, no Bairro Jardim Santarém, fruto da sanção do prefeito Ruy Correa ao projeto de autoria do vereador Faustino Sales, em 23.11.1993; assim como a medalha Osman Bentes do Mérito Legislativo, da Câmara Municipal, outorgada em 26.06.2005, por Resolução assinada pela mesa presidida pela vereadora Elizabeth Lima, PL.

PS: No curso dos meus dois mandatos como vereador à câmara municipal de Santarém (1977-1986) fui, ao longo desses dez anos, um imcomplacente adversário de Godofredo Portela. Tanto no MDB, quanto no PMDB, sempre combati sem tréguas a ditadura militar; a censura por ela imposta e a supressão do direito dos santarenos de escolher os seus gestores. Enquanto que ele, pela Arena ou PDS, a espinhosa tarefa de defender os governos federal, estadual e municipal. Apesar disso, soubemos zelar pelo respeito mútuo, e sempre o admirei pela coerência partidária; pelo irretocável exemplo de probidade e pela discrição ao defender as suas convicções; que permitiram tornar-me um dos articuladores da sua candidatura à presidência da câmara, em 1979.

*Texto e fotos do Jornalista Oti Santos e ICBS

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