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Santarenos selecionados por ONG para rede global de emprendedores sociais. Um é da Resex Tapajós Arapiuns

Luiz Henrique e Luísa Falcão selecionados pela Ashoka.

Os paraenses Luiz Henrique Ferreira e Luísa Falcão de Oliveira Sousa, ambos de 20 anos, foram selecionados para fazer parte da rede global de empreendedores sociais da Ashoka, considerada uma das cinco ONGs de maior impacto social do mundo, presente em 92 países.

Luiz e Luísa se destacaram pelas diferentes iniciativas inovadoras que fazem a diferença nas comunidades em que foram criadas.

Henrique mora em uma comunidade ribeirinha na reserva extrativista Tapajós/Arapiuns (RESEX), no extremo oeste do Pará. Aos 15 anos, ele teve a oportunidade de começar a se engajar nos processos organizacionais da comunidade. Primeiro, trabalhando na organização juvenil da igreja católica, e depois, aos 17, como representante da liderança juvenil no Conselho Intercomunitario da RESEX, que compreende 20 comunidades.

Atualmente, Henrique desenvolve um trabalho para despertar interesse dos jovens na resolução de problemas locais, como infraestrutura, saneamento e educação por meio de atividades lúdicas, teatro e musica que exploram o potencial de cada jovem se engajar e também desenvolver habilidades sócio-emocionais, como liderança. A partir dos seus esforços, além de todas as comunidades possuírem um representante jovem no Conselho Intercomunitario da RESEX para tomada de decisão, Henrique conquistou espaço de fala para a juventude na cidade de Santarém.

Já Luísa é acadêmica de Direito na Universidade Federal do Oeste do Pará, articuladora da rede de jovens Engajamundo e co-coordenadora da Rede Global de Jovens pela Biodiversidade no Brasil. Ela participa de vários projetos que conectam as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas e com demandas que surgem através da seu trabalho para proteção da biodiversidade da região.

No passado, Luísa trabalhou com o Projeto Cadê o Mato?, iniciativa que nasceu da colaboração de outros jovens da rede do Engajamundo, que tratava da conscientização sobre as reformas do Código Florestal. Como produto final, em 2016, ela e seus colegas entregaram um manifesto aos ministros do Supremo Tribunal Federal pontuando que a juventude era contrária à nova lei. Sua atuação no Engajamundo, organização fundada pela empreendedora social Ashoka Raquel Rosemberg, hoje inspira outros jovens a liderar projetos sociais na região amazônica.

INICIATIVAS

A instituição realizou no país pela primeira vez o painel Jovens Empreendedores Ashoka (JTA), que identificou diferentes iniciativas inovadoras.

A partir do ingresso na rede global, os empreendedores podem trocar experiências com várias outras pessoas ao redor do globo para ampliar o alcance de suas ações.

A ONG tem entre seus líderes nomes importantes considerados “changemakers”, como Muhammad Yunus (Prêmio Nobel da Paz de 2006) e Kailash Satyarthi, que dividiu com a paquistanesa Malala Yousafzay o prêmio Nobel da Paz de 2014. No Brasil desde 1986, a Ashoka teve como um de seus primeiros empreendedores sociais a figura de Chico Mendes, em 1988. No mundo, sua atuação vem desde 1980, quando foi fundada pelo norte-americano Bill Drayton, na Índia.

A Ashoka consegue, por meio do Jovens Empreendedores Ashoka, identificar quais as transformações promovidas por esses jovens em suas realidades locais por meio de projetos que impactam diretamente na vida das pessoas em qualquer comunidade.

Para a líder de Juventude da Ashoka na América Latina, Helena Singer, o evento possibilita contar as histórias revolucionárias de jovens brasileiros.

“Nós coletamos as histórias desses jovens transformadores para mostrar aos outros jovens e também aos adultos como somos todos capazes de criar mudanças sociais. Isso destaca a nova estrutura do século XXI, em que cada pessoa é capaz de promover mudanças positivas, desde que tenha empatia, criatividade, capacidade de trabalho em equipe e novos formatos de lideranças”, afirma Helena.

O objetivo da ONG é liderar ações que criem um mundo onde todos se reconheçam como agentes de transformação positiva na sociedade. No Brasil desde 1986, a Ashoka teve como um de seus primeiros empreendedores sociais a figura de Chico Mendes, em 1988. No mundo, sua atuação vem desde 1980, quando foi fundada pelo norte-americano Bill Drayton, na Índia.

Ao todo, já foram reconhecidos mais de 3.500 empreendedores sociais, 376 deles somente no Brasil, além de 300 Escolas Transformadoras, sendo 21 no país.

Para o fundador da Ashoka, Bill Drayton, estamos vivendo um momento histórico de mudanças constantes que intensificam uma nova desigualdade. Configurada por uma quantidade expressiva de pessoas que não conseguem acompanhar e se adaptar ao ritmo acelerado de transformações às quais a sociedade está submetida, esta nova desigualdade social já é uma realidade no mundo e necessita ser combatida.

“Vivemos hoje em um mundo de constante mudança, então buscamos construir uma comunidade de líderes que se tornem agentes desse processo. Por meio desta colaboração, buscamos transformar instituições e culturas para que elas apoiem a transformação para o bem da sociedade”, enfatiza.

Dez jovens brasileiros foram avaliados num painel que contou com a presença de empreendedoras/es da rede da Ashoka Brasil, e membros internacionais da organização na Índia, Estados Unidos e Argentina.

“O trabalho da Ashoka visa cocriar uma sociedade na qual todas as crianças desenvolvam sua empatia desde os primeiros anos de vida; todo jovem se reconheça como agente de transformação; as equipes sejam colaborativas e empáticas nos diferentes tipos de instituições. A Ashoka acredita que esses são alicerces para os fundamentos de uma sociedade na qual as pessoas tenham a oportunidade de serem protagonistas de sua história e das mudanças necessárias para um mundo mais justo para todas e para todos”, completa Helena

Informações DOL – Eduardo Enrique/Portal Mojuí na Íntegra

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